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Zonas de Escuta

2019

A instalação “Zonas de Escuta” parte da premissa da re-distribuição dos países da América Latina a partir das suas incidências literárias, ou melhor, “do que se escuta” em cada região de cada país. A instalação é composta por um grande mapa em tecido, de 2,9m de altura por 4,2 de largura, uma carta e alguns arquivos processuais. O mapa foi criado com frases retiradas de livros de literatura, que proporcionaram a reconfiguração de fronteiras e território através do som de cada fragmento literário: uma paisagem outra da latinidade, sem considerar meio, fora ou margem. Um outro continente, uma outra América Latina. Desta forma, o projeto propõe que este novo mapa se organize por regiões sonoras, que serão dadas pela incidência, repetição ou proximidade das temáticas “escutadas” nos livros. “Se ouvia o murmurejo da onda, só.” (Macunaíma, Mário de Andrade, pg. 53) / “No silêncio comprido só se ouvia um rumor de asas.” (Vidas Secas, Graciliano Ramos, pg. 60). É um jogo de sobreposições, ouvidos e sonares, terras e culturas, fronteiras borradas.

Este projeto foi realizado durante a Residência Artística do Vila Flores (2019), com financiamento do Fundo de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. O projeto passou por três momentos: um primeiro recorte curatorial, onde foi decidido a temática da PRECARIEDADE como recorte, para então a escolha dos autores e livros. O tema foi escolhido juntamente ao pesquisador Luís Felipe Abreu, que participou de todo esse processo. Uma lista de 90 títulos de ficção e romance foi selecionada referente à cada país e em relação à sua ocupação presente territorial. O segundo momento foi a seleção das passagens de escuta: a busca por verbos ou adjetivos de escuta (ouvir, o som era...), para depois então a configuração formal do novo mapa, confeccionado na terceira etapa do projeto.

A instalação propõe, desta forma, a reflexão colaborativa sobre acordos, territórios, fronteiras e principalmente sobre as relações entre os países da América Latina e seus sonares. A literatura foi escolhida como suporte por ser este local abstrato de expressão cultural e histórica. O criação de um novo mapa para a América Latina não só demonstra ao público as fragilidades destas instâncias lineares de poder legitimadas, como também o poder que estas fragilidades tomam ao encontrarem no desvio, no som que se escutava ao norte da Argentina mas também ao sul do México, um estranhamento, para questionar os regimes e escolhas políticas contemporâneas que são feitas ao traçar um território que não se relaciona com a histórica e com as ressonâncias de comunidades vizinhas. 

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The installation “Listening Zones” starts from the premise of the redistribution of Latin American countries based on their literary implications, or rather “what you hear” in each region of each country. The work consists of a large, 2.9m by 4.2m wide fabric map, a letter and some procedural files. The map was created with phrases taken from literature books, which provided the reconfiguration of borders and territory through the sound of each literary fragment: another landscape of Latinity, without considering middle, outside or margin. Another continent, another Latin America. Thus, the project proposes that this new map is organized by sound regions, which will be given by the incidence, repetition or proximity of the themes "heard" in the books. “One could hear the murmur of the wave alone.” (Macunaíma, Mário de Andrade, p. 53) / “In the long silence there was only a rustle of wings.” (Vidas Secas, Graciliano Ramos, p. 60). It is a game of overlaps, ears and sonar, lands and cultures, blurred borders.

This project was carried out during the Vila Flores Artistic Residency (2019), with funding from the Rio Grande do Sul State Culture Fund. The project went through three moments: a first curatorial cut, where the theme of PRECARIETY was decided as a cut. , for then the choice of authors and books. The theme was chosen together with the researcher Luís Felipe Abreu, who participated in this process. A list of 90 fiction and novel titles has been selected for each country and its present territorial occupation. The second moment was the selection of listening passages: the search for listening verbs or adjectives (listening, the sound was ...), and then the formal configuration of the new map, made in the third stage of the project.

Thus, the installation proposes a collaborative reflection on agreements, territories, borders, and especially on relations between Latin American countries and their sonar. Literature was chosen as support because it is this abstract place of cultural and historical expression. The creation of a new map for Latin America not only demonstrates to the public the weaknesses of these legitimized linear instances of power, but also the power that these weaknesses take when they encounter deviation in the sound of northern Argentina but also in the south. of Mexico, a strangeness, to question contemporary regimes and political choices that are made by tracing a territory that is unrelated to the historical and resonance of neighboring communities.
 

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