Microerosões
Microerosions

2020

O filme Microerosões surge de uma busca pessoal por alternativas à percepção do espaço que nos engloba, considerando a necessidade de uma socialização mais afetiva para com o mundo. Sob o efeito das maiores marés do mundo, meu corpo experimenta o movimento de ir e vir do oceano e também de sua passagem por ali. Me sinto pedra, arenito, basalto rompendo, se desenhando em falésia, também pelo vento, ou pelos pequenos buracos forjados pelos passos de quem ali se movimenta. O que erode? Tudo erode. Meu corpo erode, assim como a pedra que me sustenta e me amedronta. Então as microerosões que vão tomando protagonismo, não para moldar a paisagem, e sim os minúsculos dramas contidos nos ocos, nos buracos, nas falhas desse espaço mutante em que me encontro. 

O filme convite o espectador a uma viagem pelo mais afetivo cerne do planeta, seus sentidos e sentimentos, seus movimentos microerosivos de narração. Através de uma dinâmica cambiante entre o presente e o fantástico, trava-se um ir e vir poético e ficcional sobre estas outras percepções possíveis de um espaço geológico, seu tempo-espaço em constante modificação. E então também o corpo desta narradora que transforma o seu sentir em um afeto coletivo e atualizado a cada pequeno fragmento de invenção. 

O curta-metragem tem duração aproximada de 24 minutos e apresenta sua narrativa em uma dinâmica alternada entre imagens do Google Earth e 5 animações: as microerosões do brincar, do tempo, da língua, da função e da morada. Cada uma dessas animações foi desenvolvida em parceria com outros artistas ilustradores por meio de uma proposição erosiva, sob o ilustrar de um "texto-sonoro", e não de uma descrição das cenas. A trilha sonora também foi composta através deste processo, na tentativa de encontrar sons que traduzissem as palavras para então se sobreporem às imagens. 

Sinopse: O que erode para além da vista? É no encontro com as maiores marés do mundo, na Baía de Fundy, em que se revelam milhares de microuniversos erosivos possíveis, do corpo ao solo e também à memória. Nesta viagem ao desconhecido, são as palavras e os sons que nos guiam em uma provocação do que é "ver" e do que é "ser", no entre do que chamamos real e fantástico: um convite ao imaginário de um mundo que acontece no encontro de dois e que está, a todo momento, erodindo.

 

Ficha Técnica:

Roteiro e direção: Camila Proto

Trilha Sonora Original: Rudah Guedes

Produção musical e mixagem de som: Rudah Guedes e Pedro Sodré

Animações (por ordem de aparição):

Kaue Nery

Vitória Tadiello

Camila Proto

Clara Trevisan

João Salazar

Este filme foi contemplado pelo Edital Emergencial de Auxílio à Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e pelo FAC Digital da Feevale.

Este filme foi apresentado no 4 Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa. 

The film Microerosions arises from a personal search for alternatives to the perception of the space that encompasses us, considering the need for a more affective socialization towards the world. Under the effect of the biggest tides in the world, my body experiences the movement of coming and going of the ocean and also its passage there. I feel like stone, sandstone, basalt breaking, drawing itself on cliffs, also by the wind, or by the small holes forged by the steps of those who move there. what erode? Everything erodes. My body erodes, just like the stone that sustains and frightens me. So, the microerosions that are taking a leading role, not to shape the landscape, but the tiny dramas contained in the hollows, in the holes, in the flaws of this changing space in which I find myself.

The film invites the viewer on a journey through the most affective core of the planet, its senses, and feelings, its micro-erosive movements of narration. Through a changing dynamic between the present and the fantastic, a poetic and fictional coming and going takes place on these other possible perceptions of a geological space, its time-space in constant modification. And then also the body of this narrator that transforms her feeling into a collective affection and updated with each small fragment of invention.

The short film lasts approximately 24 minutes and presents its narrative in an alternating dynamic between images from Google Earth and 5 animations: the microerosions of play, time, language, function, and address. Each of these animations was developed in partnership with other illustrators through an erosive proposition, illustrating a "sound-text", and not a description of the scenes. The soundtrack was also composed through this process, in an attempt to find sounds that would translate the words and then overlap the images.

Synopsis: What erodes beyond sight? It is in the encounter with the largest tides in the world, in the Bay of Fundy, where thousands of possible erosive micro-universes are revealed, from the body to the soil and also to memory. In this journey into the unknown, it is words and sounds that guide us in a provocation of what it is to "see" and what it is to "be", in between what we call real and fantastic: an invitation to the imagination of a world that takes place in the meeting of two and which is, at every moment, eroding.

 

 

Datasheet:

Script and direction: Camila Proto

Original Soundtrack: Rudah Guedes

Music production and sound mixing: Rudah Guedes and Pedro Sodré

Animations (in order of appearance):

Kaue Nery

Victory Tadiello

Camila Proto

Clara Trevisan

João Salazar

This film was contemplated by the Emergency Public Notice of Aid to Culture of the Porto Alegre City Hall and by the FAC Digital of Feevale.

This film was presented at the 4th Prize for Contemporary Art of the French Alliance.